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Colunistas 02/04/2015

Um balanço dos 90 dias

carlos-lindenberg-colunistaO governo Dilma Rousseff e os governos estaduais completaram ontem os seus primeiros 90 dias. No de Dilma, foram os primeiros 90 dias do segundo mandato. De Fernando Pimentel, os três meses do primeiro. Em Minas, esse tempo passou sem maiores problemas para Pimentel, com algumas vitórias na área política e nenhuma grande realização na área administrativa. Foi um tempo, lá e cá, de acomodação das novas forças que começam a atuar. No caso do governador, o que mais pesou foi a falta do Orçamento, peça fundamental para a obra administrativa, se bem que no caso de Dilma o Congresso também só aprovou a LDO já quase na metade dos 90 dias. De qualquer forma, a falta do Orçamento pesou mais aqui que em Brasília, onde os problemas eram de outra natureza – ainda que a sua não aprovação tenha provocado o atraso de pagamentos a convênios e repasses de recursos a unidades federais nos Estados, como foi o caso da UFMG, que ficou sem dinheiro até para pagar água, luz e telefone.

Na queda de braço para aprovação do Orçamento, Pimentel aproveitou para fazer uma minirreforma administrativa e na última semana conseguiu fazer uma proposta para reajuste salarial dos professores, dando início ao cumprimento de uma promessa de campanha, embasada no pagamento do piso salarial para o magistério. Sem a mesma sinalização, funcionários da Fhemig fizeram um dia de paralisação e os da Previdência cruzaram os braços. Café pequeno, diante dos problemas enfrentados por Dilma nesses 90 dias. Ela teve que enfrentar a ira do deputado Eduardo Cunha (PMDB), revigorado após derrotar o PT na eleição para a presidência da Câmara, a incompreensão do próprio PT pela nomeação do neoliberal Joaquim Levy para a Fazenda e, para culminar, as manifestações de ruas que pediam desde a volta dos militares ao seu impeachment. Sem falar no caso Petrobras, um incêndio que vem desde o final do ano e que a cada dia tumultua ainda mais a vida do país, com vazamentos seletivos de depoimentos que insistem em criminalizar o PT e envolver tanto a presidente como o ex-presidente Lula. Se no caso do governo Pimentel as coisas andaram com alguma normalidade, o mesmo não se pode dizer do governo federal, onde Dilma tem comido o pão que o PT supostamente amassou.

Carlos Lindenberg é jornalista, colunista do Metro Jornal e comentarista da TV Band Minas. Escreve no Metro Belo Horizonte.