Colunistas

Intervenção militar, não

diego-casagrande-colunistaUma tal “intervenção militar constitucional” ganhou destaque nas redes sociais desde o ano passado e, mais timidamente graças a Deus, nos cartazes de alguns cidadãos Brasil afora durante as manifestações de rua. Antes não me interessava em saber do que se tratava por uma razão simples: intervenção militar, constitucional ou não, não me apetece e não resolve nada. Mas fui atrás de informação e a conclusão é simples: isso não existe. Ou como diria o célebre padre Quevedo, “non ecziste!”.

Tementes ao que possa acontecer com o Brasil nas mãos de um grupo sem apreço pela democracia, cidadãos acreditam que o “mal menor” seria a intervenção das Forças Armadas para destituir a presidente e instaurar uma nova ordem, convocando eleições posteriormente para garantir ordem e honestidade no país. Mas há um pequeno grande detalhe que repito: isso é impossível dentro da lei.

O país vive um descalabro moral. Nossos heróis morreram de overdose. Faltam líderes. A sensação que se tem é que roubaram tanto que deixaram o país no osso. Os outrora “trabalhadores” estão todos ricos, milionários, vivendo como nababos enquanto pagamos gasolina, luz e impostos escorchantes. Lá em cima quem vai julgar a Lava Jato é Dias Toffoli, sabidamente um militante partidário, cria do Zé Dirceu. Agregue-se a isso a ascensão do bolivarianismo na Venezuela, uma vertente nem um pouco moderna do velho comunismo, e que conta com rasgados elogios e apoio institucional do governo brasileiro. Sem falar na Argentina, Bolívia, Equador e Cuba, países que junto com o nosso formam um bloco. Lógico que tudo isso gera temor, medo e até desespero. Algumas pessoas se veem encurraladas e clamam pela tal “intervenção militar constitucional”. Mas entendam: as Forças Armadas só poderão agir provocadas pelo presidente da República ou pelos presidentes dos Poderes, desde que com o aval da presidência. Todo o resto é golpe. E democratas não apoiam golpes.

Agora, existe uma improvável situação, na qual um presidente da República sofra impeachment e se negue a respeitar a decisão do Congresso Nacional, prevista em lei. Diante deste cenário de ruptura, os militares brasileiros, homens patriotas, podem agir para fazer valer a Constituição e impedir o caos. Mas não gosto de vislumbrar esta situação no horizonte.

Antes de qualquer coisa, acredito que a maior força que existe é o povo na rua e com a maior das armas: a verdade.

Diego Casagrande é jornalista profissional diplomado desde 1993. Apresenta os programas BandNews Porto Alegre 1a Edição, às 9h, e Ciranda da Cidade, na Band AM 640, às 14h. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

Tags

Últimas Notícias


Nós recomendamos