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Pare de ‘pensar pobre’: o brasileiro é caloteiro!

colunista  marcos-silvestrePendura! As taxas de juros praticadas para pessoas físicas nas várias modalidades de crédito ofertadas por bancos e financeiras no Brasil estão entre as maiores do mundo. Por vezes, vejo representantes do setor financeiro “explicando” que isso se dá pela elevada inadimplência (= não pagamento de dívidas) no país. Seria o brasileiro caloteiro e, como merecida punição, eternamente condenado a juros surreais?

Nada! Costumo pensar e explicar diferente: o brasileiro é bom pagador, mas dá calote porque é “mau devedor”. De acordo com minha experiência de duas décadas e meia como Planejador Financeiro, o brasileiro típico odeia ficar devendo, e tem medo de ficar com o “nome sujo” na praça. Tanto que, a maioria faz das tripas coração, mas paga seus débitos (muitas vezes a poder de sacrifício desumanos!).

Nem tanto… nem tão pouco. Até que, para padrões internacionais, o calote nas dívidas poderia ser maior/pior no Brasil. Via de regra, o brasileiro não fica pendurado em suas obrigações porque quer, mas por descontrole financeiro. Como 1) a educação financeira é baixa, e 2) a ansiedade de consumo é alta, e muita “gente boa” acaba no calote: são 55 milhões de CPFs que estão negativados hoje no país.

Desatolando. Infelizmente, quem chega a meter os pé no lamaçal das dívidas não pagas, normalmente tem dificuldade para sair da inadimplência, e por três principais entraves: 1) o atual cenário de enfraquecimento da atividade econômica, agravado pela 2) inflação elevada, que corrói o salário, e pelos 3) juros altos, que bombam as dívidas. Até o final do ano, o recebimento das parcelas do 13o salário deve ajudar, assim como o aumento da oferta de empregos temporários por conta das vendas de Natal.

A solução definitiva! O melhor remédio para combater a inadimplência é mesmo o uso consciente do crédito. E são quatro os principais focos de atenção que podem garantir o uso bem esclarecido e, por isso mesmo, responsável, do crédito. Os dois primeiros são de natureza qualitativa, de avaliação mais subjetiva, mais pessoal: 1) a finalidade do crédito, e 2) seu momento de vida. Os outros dois são de natureza quantitativa, mais objetiva, são pontos que você pode colocar com clareza na ponta do lápis antes de tomar a decisão de contrair uma nova dívida: 3) o encaixe correto das parcelas no orçamento, e 4) a conta certa dos juros que serão pagos por conta da dívida. Na próxima coluna, tem mais disso aí!

Economista com MBA em Finanças (USP), orientador de famílias e educador em empresas, é colunista da BANDNEWS FM e fundador da SOBREDinheiro. Diretor do site www.oplanodavirada.com.br, da EKNOWMIX Consultores Integrados e da TECHIS SA.

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