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Aécio mantém discurso

carlos-lindenberg-colunistaO senador Aécio Neves está mantendo o tom da campanha, da qual saiu derrotado a partir de Minas. E não é para menos. Mesmo que tenha reconhecido a derrota na mesma noite em que se encerrou a eleição, ele voltou do curto período de férias com a disposição de manter o governo da presidente reeleita sob fogo cerrado. Pode-se dizer que seria uma espécie de retaliação, uma vindita do senador, um mau-perdedor, digamos, mas não é isso. Aécio age assim por outras razões, embora o travo da derrota não seja um bom combustível para ocasiões assim: precisa manter acesa a chama da combatividade para sustentar o ânimo da oposição e, mais do que isso, para se manter à tona nesses quatro anos que o separam de uma nova eleição presidencial, para a qual não tem cadeira cativa.

Este, aliás, o motivo principal para tom belicoso do discurso oposicionista de Aécio. O presidente do PSDB sabe que o resultado eleitoral, mais do que a derrota para Dilma, o deixou numa situação difícil: perdeu em Minas, sua terra e base eleitoral, e ganhou em São Paulo, onde o governador Geraldo Alckmin se reelegeu com folga no 1º turno e, portanto, pode gabar-se de possuir uma carteira estufada de votos. Pior: Aécio perdeu também – e para o PT – o poder político no estado. Com isso armou-se contra o senador uma pinça perigosa: um braço aperta em Minas e outro fecha em São Paulo. O mineiro é acionado pelo PT e o paulista é tracionado por Alckmin.

O problema maior está em São Paulo. Aécio vai ter de convencer, novamente, o diretório paulista do PSDB de que terá melhores condições do que Alckmin para enfrentar o candidato que o PT lançar, em 2018. E para isso, nada melhor do que manter alto o fogo contra Dilma, enquanto Alckmin ainda se mantém dependente de boas relações com o governo federal, em função do cargo, como de resto outros governantes estaduais. Isso significa dizer que Aécio continuará fazendo ataques pesados contra Dilma e o governo do PT, na expectativa de se consagrar como porta-voz das oposições – noves fora os partidos à esquerda – e assim criar uma forma de pressão que, de fora para dentro, o levará novamente à condição de candidato tucano em 2018.

 

Carlos Lindenberg é jornalista, colunista do Metro Jornal e comentarista da TV Band Minas. Escreve no Metro Belo Horizonte.

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