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Surpresa na churrascaria

lizemara-pratesAlmoçando em uma tradicional churrascaria de Porto Alegre descobri que a paleta de cordeiro estava disparada no topo da lista de preferência dos consumidores. E também fiquei sabendo que os cortes ovinos servidos na casa vêm do Uruguai porque são padronizados. Confesso que fiquei surpresa porque sempre imaginei que a carne bovina, picanha e costela, em especial, fossem as mais pedidas. Eu sou uma apreciadora de carne ovina. Fui criada comendo churrasco de ovelha.

A evolução na ovinocultura está ligada ao desenvolvimento das raças tipo carne e a produção de animais precoces. Os cordeiros historicamente apreciados pelo paladar dos europeus, só mais recentemente caíram no gosto popular dos brasileiros. Em algumas regiões do país são chamados de carneiros. Sei que tem gente que não gosta de carne de ovelha. Conheço algumas e sempre que as encontro sugiro que experimentem no tradicional churrasco ou em pratos elaborados. O paladar, arriscaria dizer, é uma barreira menor nos dias atuais. O preço é que afugenta muitos consumidores. E aí se aplica a lei da oferta e procura. Produzimos menos do que consumimos. E não temos a uniformidade e a regularidade exigida pelos restaurantes.

O rebanho ovino gaúcho ultrapassou quatro milhões de animais em 2014, fomentado pelo programa Mais Ovinos que defende a manutenção das fêmeas para incrementar a reprodução. Na década de 70, tivemos 13 milhões de ovinos e despencamos desestimulados pelo preço da lã. A valorização da carne ovina tem sido um incentivo para a retomada da atividade.

Estimular a ovinocultura é tão importante quanto outras atividades da produção animal. Incentivos não faltam. No final de semana, uma vaca mineira conquistou o posto de recordista mundial na produção de leite. Indiana Canvas 2R produziu 115 litros de leite em um dia e tirou o título que estava há 32 anos com a vaca cubana Ubre Blanca. O novo recorde foi registrado durante a Megaleite 2014, feira realizada em Uberaba (MG).

No Rio Grande do Sul, o recorde foi registrado em 2008, na Feira Agropecuária de Ijuí. A vaca Polônia produziu 105 litros em um dia e conquistou o título sul americano. Hoje, a média no Estado fica em torno de 12 litros diários, levando em conta rebanhos menos e mais qualificados. Este, sem dúvida é um valioso troféu. E conquistado no momento em que nos recuperamos da derrota no futebol. Quem sabe, durante a Expointer, na primeira semana de setembro, possamos registrar outro recorde. A maior marca da feira é de 81 litros por dia.

Lizemara Prates é jornalista do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Apresenta o AgroBand, na TV Band, e tem comentários diários sobre agronegócio na Rádio Bandeirantes e na BandNews FM. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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