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Então eu teria escolhido o Joaquim Barbosa

leonardo-meneghettiA CBF escolheu um Coordenador que é empresário, um técnico do time olímpico que nunca deu certo como técnico. E um técnico da Seleção principal que não conseguiu engrenar sua carreira. Não me incluo entre os críticos mais vorazes da escolha de Dunga. Reconheço que fez um trabalho razoável entre 2006 e 2010. Ganhou as competições menos importantes, como Copa América e Copa das Confederações. Perdeu as mais significativas, como Olimpíada e Copa do Mundo. Foi bem nas Eliminatórias. Ainda: pouco me interessa onde ele nasceu!

O argumento de que Dunga é um sujeito sério e de conduta correta não me satisfaz. Por estes requisitos, que até o mais incompetente dos homens precisa ter, minha indicação seria Joaquim Barbosa. E reitero que, mais importante que o técnico, é a filosofia que a CBF pretende impor à Seleção. E mais do que isso: que projeto tem a desrespeitada entidade para o futebol brasileiro? Não me agradam as escolhas feitas até este momento. Alexandre Gallo, sujeito simpático, nunca avançou como técnico. E irá conduzir a Seleção Olímpica. Gilmar Rinaldi, que se anuncia ex-empresário, foi escolhido por que mesmo?

A escolha de Dunga não significa qualquer avanço ou mudança drástica. Mas também não me tira o sono. O trabalho na Copa de 2010 teve méritos. E algumas convocações esquisitas. Michel Bastos e Felipe Melo no time titular. Doni, Grafite e Josué como opções. Escolhas equivocadas e incompreensíveis. A performance na Copa da África foi aceitável. O time que ele montou jogava mais que este de 2014.  Dunga é um sujeito capaz e que não teme encrencas. Na época, talvez até fosse recomendada a sua permanência na Seleção. Mas como esta Confederação não tem qualquer critério acabou demitido. E agora contratado como o cara da renovação. E alí na frente voltarão Parreira e outros tantos da panela.

Dunga não consegue engrenar sua trajetória como técnico. Depois da Seleção esteve no Inter. E só. Nunca disputou uma Libertadores. Esteve em apenas um Brasileirão. Precisaria ter mais seqüências, outras experiências de comando de vestiário, conquistas, para voltar à Seleção. A seu favor estão a liderança, a seriedade, a correção, a fama de trabalhador. Virtudes que o guarda da sua rua e o presidente da República devem ter. E se Jorginho não estiver ao seu lado o trabalho ficará mais difícil.

Agora que estão escolhidos, resta torcer que realizem um competente planejamento. Que revejam a escolha de Gallo como técnico na Olimpíada. E que tenham êxito.

E para que o prezado leitor me chame de louco: eu montaria o organograma do futebol da CBF da seguinte forma: Fernando Carvalho como diretor de futebol. Guardiola como técnico da seleção olímpica e da principal – Tite seria a opção. Fábio Mahseredjian como preparador físico. Marcelo Oliveira como auxiliar-técnico. E traria ainda Bernardinho para trabalhar na CBF e, gradativamente, ambientar-se ao futebol. É competente, competitivo, tem planejamento e sabe reinventar-se!

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band/RS. Diariamente, às 13h, comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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